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25/09/2020

Terra dos homens e as lições de Zé Perri.


☼ Você conhece Saint-Exupéry? ☼ 


    “Você conhece Saint-Exupéry? foi a pergunta que lancei há algumas semanas em minhas redes sociais. As respostas foram afirmativas, como também houve a conexão do autor com a obra O Pequeno Príncipe, escrita em 1943.

    O pequeno príncipe é uma história muito difundida, sendo considerada até piegas por conter frases e reflexões sobre amizade, amor e felicidade, frequentemente citadas nos variados círculos sociais.

     Foi na minha infância que li o pequeno príncipe, como também assisti ao filme musical de 1974, e, muito tempo depois, continuo encontrando encantamento e delicadeza na obra, contudo, volto a perguntar: “Você conhece Saint-Exupéry?

      Em Terra dos homens, o autor declara que devia para sua governanta uma página em suas memórias




Ah, eu bem te devo uma página! Quando eu voltava de minhas primeiras viagens, Mademoiselle, eu te encontrava com agulha na mão(...)preparando sempre com tuas mãos aqueles linhos sem dobras para nossos sonhos(...) p.59


    Assim, também dedico uma página ao prezado Zé Perri, que, de maneira tão individual, com suas mãos também costura uma manta sem dobras para agasalhar nossa imaginação.

    Para quem ainda desconhece, Antoine de Saint-Exupéry trabalhou no serviço aéreo postal da França, e nos anos 30, prestou serviços em solo brasileiro, nas cidades de Florianópolis, Natal, Recife e Rio de Janeiro.     Em seu livro intitulado Voo Noturno, o autor descreve seu ofício de piloto, suas rotas e aventuras.

    Foi aqui, no Brasil, que seus amigos brasileiros, na dificuldade de pronunciar seu nome, o chamaram carinhosamente de Zé Perri. Também foi em Recife que possivelmente teve inspiração para o pequeno príncipe, quando viu o centenário e gigante baobá que até hoje vive altivo em frente ao Palácio dos Campos da Princesa, sede do poder executivo do estado.

    Sem embargo, venho trazer nessa postagem, a significação do que absorvi da leitura que fiz de Terra dos Homens, a obra que considero mais prodigiosa dentre outras de Saint-Exupéry, pois é em Terra dos Homens que o autor oferece muito de si próprio nos corredores dessa história.

    Sua narração nos leva a refletir sobre as relações humanas e como nos encontramos em um deserto, somente entre a areia e as estrelas, quando permanecemos desempenhando apenas o hábito sem o entusiasmo que deve existir em nossas aspirações, ou exercendo o ritual ganancioso da conjugação do verbo ter.

    A singularidade no contar sobre sua rotina não corrente é muito fascinante, pois sua observação na direção do cenário, e não da cena, nos diz muito sobre a moral do homem nesse panorama do "diariamente".

O mistério está nisso: eles terem tornado esses montes de barro. Por que terríveis moldes terão passado, por que estranha máquina de entortar homens? Um animal ao envelhecer conserva sua graça. Por que a bela argila humana se estraga assim? (...) Só o Espírito soprando sobre a argila pode criar o Homem. (p.167)

    E assim, depois que li Terra dos Homens, pude entender que, quando reconheço ao meu redor a ganância corrompendo ações, quando percebo a estagnação viciando pensamentos, quando observo a monotonia compondo sons e palavras, e quando enxergo o vazio no olhar dos homens, a argila que os formou já endureceu, porque ninguém os sacudiu enquanto era tempo.

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