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03/10/2019

O Gato de Simenon

Divagando sobre o livro

Eu li 'O Gato' de Simenon há algum tempo, é verdade, mas hoje ( finalmente) resolvi registrar a obervação que tive  depois de conhecer a história.
arquivo pessoal (aproveitei a oportunidade de fotografar o
livro em cima da caixa da minha gatinha Lili)
É  evidente a  natureza psicológica presente na narrativa, e a respeito disso, um olhar mais pautado alcança essa condição.
 Essa natureza, característica predominante da história, pode ser reconhecida através da total infelicidade existente nas ações e pensamentos dos personagens. 
Um casal  se liga, não por amor, mas  pela falsa conveniência de um casamento. Eles tentam afastar a solidão que sentem, mas acabam se tornando pessoas ainda mais solitárias.
Nesse relacionamento, o que o autor deixa mais visível é a raiva que cada um sente de si próprio por ter de estar com o outro, por saber que não há possibilidade de viver de outra maneira além dessa que está vivendo, e, principalmente por não conseguir explicar ou justificar a razão pela qual permanece nesse cenário adoecido.
A realidade é que muitas escolhas ruins são feitas por conta do temor  da solidão, e preocupação pelo pensamento e julgamento alheio. Estar preocupado com o julgamento de outras pessoas, com o que outros pensariam, faz daquele que age de maneira condicionada para não ser julgado um ser desafortunado.
 Um velho casal sem viço. As pessoas que os encontravam, fornecedores e vizinhos, não os julgariam lastimáveis, grotescos? E o que não pensariam se pudessem vê-los dentro de casa? (página 81, ed. Nova Fronteira, 1981)

O fator decisivo para que os dois  se odiassem mais foi o envenenamento do gato. Ele a acusava de ter envenenado seu gato de estimação, e ela, por sua vez, argumentava que ele, por vingança, havia atacado sua arara, também de estimação.

O livro nos dá detalhes de uma vida desvalida. Os dois, marido e esposa, são pessoas deprimidas com o propósito de flagelar um ao outro. E o que os rodeava estava também se deteriorando... A casa, os móveis, as lembranças... Nem a morte os salvaria, porque já haviam perdido a vida nessa existência a dois. Afirmo que é uma história deprimente, e infelizmente acontece muito por ai...


Como usual ,para mim, agregar à postagem uma música, deixo aqui Enrique Bunbury cantando a sina de um pobre infeliz.