Follow Us @divamontalban

25/06/2018

Marcílio Moraes - Entre as Estrelas: Aquiles

A saga de um autor de telenovelas



 Marcílio Moraes, ao nos contar a ‘a saga de um autor de telenovelas’, nos inclina a fazer uma correspondência com Aquiles, o herói vingativo da mitologia grega e guerreiro mais forte e superior da Ilíada, poema épico de Homero.
Tal como Homero descreve a Ira de Aquiles, já é possível considerar que encontraremos muita cólera e rancor nesta saga.
De fato!  Na primeira página de 'Entre As Estrelas: Aquiles', a ira do protagonista João Carlos (Joca), o autor de telenovelas, já é evidenciada.  Antes mesmo, pela capa do livro: o mar cinza e turvado, a vista que o novelista tem de seu estúdio, preconiza tempos escurecidos.
Em razão de alterações em seus planos, alterações estas feitas pelo próprio “Agamenon” da emissora de televisão em que Joca trabalha, conhecemos o que há de mais verdadeiro na natureza de um homem: O pensamento.
E o pensamento de Joca carregado de fel, tão bem reproduzido, é concebido de maneira ininterrupta, sem pontuação, linha contínua, onde as palavras de uma mesma frase competem entre si, espelhando a intranquilidade que fez moradia naquele ser.
Não me é familiar o ambiente da televisão onde Joca trabalha, todavia, introduzida nessa atmosfera através das páginas de 'Entre as Estrelas' e pelas páginas, é possivel reconhecer que se trata de um ambiente em que a comercialização  de imagens e produtos se faz mais importante do que a própria arte; que a palavra dada é a dúvida; e que a pessoa pertencente  a esse meio acredita ser virtuosa e abençoada pelo dom do talento artístico e nada pode derrubá-la.
Entre as Estrelas: Aquiles (2018) ao lado de Ilíada (edição:1961)
Aquiles não foi um deus. Joca também não é!  Trata-se do homem, e como todo homem, é feito do pó do solo, do barro, com qualidades e defeitos. Uns com mais defeitos do que outros.
É praticável  entender Joca em vários momentos.   (((Também vim do barro (não da costela) :D ))  

Às vezes é impossível  disfarçar, com sorriso, o desconforto ao notar a hipocrisia que se hospeda em alguns ambientes sociais; em que  fariseus , tal como o autor Marcílio Moraes  bem apontou, caminham em nossa direção apenas com braços abertos, mas com ausência de uma cabeça, assim como a escultura  de  Nice de Samotrácia, prontos para nos causar danos.
Entretanto, os defeitos contidos nele comprovam que ele muitas vezes faz uso das mesmas armas de seus inimigos. Talvez porque ele saiba que Aquiles não morre na Ilíada... e  que para estar entre as estrelas é necessário que o céu esteja escuro...
Só me restou a pergunta:
Se a previsão for chuva, por que não Gabardine?


" O escritor percebeu o arpão se desprender da arma rumo ao seu peito.Fosse resistir, este era o momento. Ou então deixar ofrio aço atravessar o coração e ir se contorcer inultilmenteno fundo lamacento" (pg.67, Moares, M.)

Tal trecho me fez ouvir a divina voz de Bob Darin, alertando que o tubarão mostra seus dentes brancos perolados... " Não se meta com ele!" ;)